Sabe aquele móvel mais velho, aquele que a gente acha que precisa ir para o ecoponto/lixo/descarte?
Há famílias que ficariam imensamente gratas em recebê-los...
Hoje vi isso muito de perto, mais uma vez!
Me lembrei de Carolina, Conceição...nas narrativas dessas mulheres luta-se pelo alimento diariamente (as vezes não dá pra desprezar aquele jogado no lixo)....os sapatos de Vera Eunice foram achados no lixo, a casa de Carolina foi construída com latão e outros materiais descartados, luta-se por água na favela (do Canindé ou da ficção do livro "Becos da memória" de C. Evaristo) com 80 famílias e apenas uma torneira para retirar a água.... o banho de chuveiro era algo fora da realidade para aquela comunidade...essa e outras exclusões persistem...
Ontem conheci algumas famílias em Primavera do Leste, que vieram de outros Estados (Bahia, Pará e Goiânia) em busca de trabalho, moram em regiões periféricas (se eu estivesse em sala, pela localização seriam meus alunos do EJA ou pais dos meus alunos)...conforme íamos conversando eu via Carolina, Firmina, Conceição...eram sobreviventes!
Do outro lado me vejo com inúmeros privilégios...aprendendo que não se deve desprezar absolutamente nada, o valor das coisas depende do nosso lugar de fala/social.
