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terça-feira, 4 de agosto de 2020

Sobre ter privilégios....


Sabe aquele móvel mais velho, aquele que a gente acha que precisa ir para o ecoponto/lixo/descarte?
Há famílias que ficariam imensamente gratas em recebê-los...
Hoje vi isso muito de perto, mais uma vez!





Me lembrei de Carolina, Conceição...nas narrativas dessas mulheres luta-se pelo alimento diariamente (as vezes não dá pra desprezar aquele jogado no lixo)....os sapatos de Vera Eunice foram achados no lixo, a casa de Carolina foi construída com latão e outros materiais descartados, luta-se por água na favela (do Canindé ou da ficção do livro "Becos da memória" de C. Evaristo) com 80 famílias e apenas uma torneira para retirar a água.... o banho de chuveiro era algo fora da realidade para aquela comunidade...essa e outras exclusões persistem...

Ontem conheci algumas famílias em Primavera do Leste, que vieram de outros Estados (Bahia, Pará e Goiânia) em busca de trabalho, moram em regiões periféricas (se eu estivesse em sala, pela localização seriam meus alunos do EJA ou pais dos meus alunos)...conforme íamos conversando eu via Carolina, Firmina, Conceição...eram sobreviventes!

Do outro lado me vejo com inúmeros privilégios...aprendendo que não se deve desprezar absolutamente nada, o valor das coisas depende do nosso lugar de fala/social.

sábado, 1 de agosto de 2020

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Ensino de História e docência


Vale a pena assistir as provocações da professora Maria Cristina Pina, que propõe: 

"mobilizar a formação do pensamento histórico"
"pensar os sentidos do pensamento histórico"




terça-feira, 28 de julho de 2020

Coleção Ubuntu

A Poeme-se está com uma proposta bem legal...está vendendo o kit Ubuntu (livro e bonecxs). 

Esse material pode ser utilizado para práticas pedagógicas para as relações étnico-raciais.




Fonte:https://www.poemese.com/ubuntu

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Apaixonada por esse trabalho em crochê...

Inspirado na primeira princesa negra da Disney a artesã da Barroca Ateliê criou a boneca e o sapo....

Tiana aparece na produção da Disney como uma mulher determinada, independente, que está em busca dos seus sonhos.


Veja no vídeo que trabalho lindo:




sábado, 25 de julho de 2020

Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha

Hoje é dia de Tereza de Benguela



Precisamos pesquisar, ler para entender a importância dessa data como reivindicação por mudanças na nossa sociedade, essa luta perpassa pela ocupação de espaços. Quando olhamos com sensibilidade percebemos as injustiças...mulheres negras aparecem nos dados do IBGE, no mapa da violência no Brasil e em artigos na base da pirâmide, com maior quantitativo de encarceramento, com menores salários, sofrendo ainda mais a violência doméstica e entre outras categorias que as colocam na busca por direitos. Precisamos fazer o "teste do pescoço" para entender que temos muito que combater e avançar! Recomendo algumas leituras que trazem esses dados: Lugar de fala -Djamila Ribeiro; Encarceramento em massa de Juliana Borges; e artigos do Géledes - Instituto da mulher negra, criado pela pesquisadora Sueli Carneiro.https://www.geledes.org.br/

O artigo a seguir traz a origem e objetivo do dia internacional da mulher negra latino americana e caribenha:






quinta-feira, 23 de julho de 2020

Machado, o capoeirista da palavra...

Pesquisador reúne textos de Machado de Assis contra o racismo e escravidão





Aesse abaixo o link do podcast do professor Eduardo de Assis Duarte, pesquisador das obras de Machado de Assis.

https://radios.ebc.com.br/arte-clube/2020/07/pesquisador-reune-textos-de-machado-de-assis-contra-o-racismo-e-escravidao?fbclid=IwAR0HaDe7z73tRJKf1328PREMbcKOn3zQ7n8M5rRF2hzfT9J3Hkx43BKnLUY

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Fico babando com tanta beleza...


O trabalho dessas mulheres é de uma beleza e refinamento ímpar.

olha esse colar e brincos...que tudo!




Fonte: Farmrio

Cidinha da Silva, escritora e editora, escreve para Carolina Maria de Jesus

Querida Carolina,
Desejo-lhe saúde, alegria e paz para escrever em um lugar bonito e tranquilo, sem ninguém para roubar seu tempo e sua atenção.
Hoje, dia 03 de junho de 2020, ultrapassamos 600 mil infectados numa guerra chamada morte aos pretos, aos indígenas, aos quilombolas, aos pobres, ao povo sem-teto, aos catadores, aos idosos, aos sexual-dissidentes, aos trabalhadores de baixa renda, a todas as pessoas vulneráveis e indesejáveis. Temos sido vitimadas por um vírus chamado Covid-19 que virou o país de cabeça para baixo. As expectativas mais pessimistas falavam em 26 mil mortes, já ultrapassamos 30 mil. Um vírus que atinge violentamente o sistema respiratório da pessoa doente, embora o presidente do desgoverno a que estamos submetidas assegure que se trata de uma gripezinha. A Ciência mostra que estamos diante de uma espécie de pneumonia severa, com alto grau de letalidade. É uma volta ao período das trevas, a Ciência e o conhecimento acumulado foram transformados em seres pestilentos e são apedrejados.
O mais terrível, Carolina, é que essas mortes poderiam ser evitadas se os governantes se preocupassem com os mais fracos, como você gostava de dizer; se fossem adotadas medidas que buscassem salvar as pessoas, não a economia. O cheiro da morte infesta tudo e coloca o Brasil no centro do noticiário internacional.
Em São Paulo, cidade que você conhece tão bem, o prefeito anunciou medidas para lidar com a avalanche de mortes previsíveis e evitáveis: comprou quinze mil sacos reforçados para o transporte de corpos; oito câmaras frigoríficas com capacidade para guardar até mil corpos por vez enquanto aguardam o sepultamento; trinta e oito mil novas urnas funerárias e abertura de treze mil novas valas com o apoio de quatro mini retroescavadeiras. Consegue imaginar, Carolina?
A medida mais eficaz pra evitar a disseminação do vírus é um negócio chamado isolamento social, as pessoas precisam ficar em casa e o comércio, parques, indústria, precisam ficar fechados, não podem acontecer grandes eventos com aglomeração de pessoas. Tem gente que pode, mas não quer ficar em casa. Tem gente que não tem casa. Tem gente que tem casa minúscula, não tem segurança alimentar, água corrente e limpa, eletricidade, internet, salário a receber no final do mês, alguma reserva financeira ou fonte de renda mantida durante a quarentena. Essas pessoas se perguntam: O que vamos comer hoje? Terei comida para mim e para os meus amanhã? Quantas refeições conseguiremos fazer até o fim da semana? Perguntas que você conhece tão bem, não é Carolina?
Posso imaginar sua carinha serena ao ouvir essas notícias, nada disso te espanta, não é? Iniquidade é sobrenome da vida que você viveu e testemunhou. Pois te conto que aqui estamos assustadas, apavoradas. Mataram um menino chamado João Pedro, dentro de casa, pelas costas, com as mãos levantadas. Rendido dentro de casa. Contaram mais de 70 tiros dentro da casa dele. Antes tinham matado a menina Ágatha Félix, de 8 anos, dentro do transporte público enquanto ia para a escola, acompanhada da mãe. Na favela hoje, Carolina, você morre pelo vírus, pelos tiros da polícia ou pela falta de leito e respiradores nos hospitais.
Nossa gente resiste, bravamente. O pessoal nas favelas, por conta própria, montou escritórios de gerenciamento da crise sanitária e tomam todas as medidas necessárias para manter as pessoas vivas, em casa, e para evitar que o vírus se espalhe. Também cuidam de doentes e idosos como o Estado ausente não faz.
Lamento dizer que as coisas pioraram em relação ao seu tempo, Carolina. Nossa gente está como sempre esteve, por sua própria conta.
Despeço-me com um abraço afetuoso e te digo que seguimos na sua batida e também do Lima, nós por nós.

terça-feira, 21 de julho de 2020

Imperdível...

Seguindo o projeto "Bate-papo no ensino de História", hoje a noite teremos uma grande referência, Ana Maria Monteiro participará de um debate bem provocativo: 

Professores ainda são necessários hoje?

  https://youtu.be/TWXmTmVbRJI