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terça-feira, 7 de setembro de 2021

Quem vê, ouve e lê mulheres negras brasileiras no Brasil?

Na entrevista de ontem Conceição Evaristo deu um show, uma linda aula sobre o que é racismo estrutural, interseccionalidade (raça, classe e gênero) e resistência. 

Penso que ler Angela Davis é importante, sua história e escrita são inspiradoras, mas a própria problematizou na sua estada no Brasil: Vocês conhecem Lélia Gonzalez? (salutar provocação) 

Emendo, quantxs de nós conhecem Beatriz Nascimento e Sueli Carneiro? 

E temos a potente Chimamanda, leitura fundamental, um bom começo, mas não me basta, preciso fazer o exercício de olhar de dentro para fora. Carolina, Evaristo transbordam possibilidades. 

Quem conhece/lê nossas intelectuais negras brasileiras? Não dá para naturalizar essas permanências perversas, comprar o que vem de fora e ignorar quem está ao nosso lado, ou frente. 
obs. ainda que eu considere que quem leu Davis e Chimamanda já saíram na frente da grande maioria, pois o nosso mercado editorial e consumidor é majoritariamente branco. (já temos sinais de mudanças  com a editora Mazza, Malê e outras).

Isso me fez refletir: 

1º Seguimos com o complexo de vira-lata, um exemplo é que alguns olhares só passaram a perceber Conceição quando ela foi participar do salão do livro em Paris. obs. Suas obras já foram traduzidas em 5 idiomas.

2º Questionaram a candidatura dela na ABL, mas não questionam porque até hoje nunca tivemos uma mulher negra nesta instituição. obs. Na entrevista de ontem o relato, as negativas e discriminações me doeram fundo. Estou na torcida pelo Daniel Munduruku 


Felizmente, como enfrentamento, também vejo uma crescente de pesquisas acadêmicas que já compreenderam a importância desta escritora negra brasileira, tensionam. No que depender de mim estou de mãos dadas com ela e outras de nós, sou do mesmo quilombo, já entendemos a escrita como ato político. 

“A nossa escrevivência não pode ser lida como história de ninar os da casa-grande, e sim para incomodá-los em seus sonos injustos.” Conceição Evaristo


Sim, Evaristo tem uma escrita que "sangra" e DESPERTA!


 

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